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18/07/2016
MILHO

O milho baixou de preço, mas a crise continua

Publicado em: 18/07/2016

Por Ivan Ramos – diretor executivo da Fecoagro


Há um ditado popular que diz que quando a água bate no pescoço, todos aprendem a nadar. A crise de preço e abastecimento do milho em SC vivido nesses últimos meses, deve estar ensinando a muita gente a nadar. Todos reconhecem, produtores e consumidores de milho, que os preços a que chegaram o produto, estavam totalmente fora da realidade. Não se nega que antes disso o preço que o mercado pagava era inadequado. Mesmo que os órgãos oficiais afirmassem que estava acima dos custos de produção, os preços praticados eram desestimulantes, principalmente se comparado com a soja. Entretanto, os níveis de até R$ 60,00 atingidos, podem ter agradado os produtores de milho, mas qualquer um de sã consciência sabe que o seguimento seguinte, do consumo do milho não suportaria por muito tempo. Os preços vão cair aos preços do ano passado? Ninguém acredita, mas uma sensível redução, certamente que sim. Atualmente com a entrada da safrinha já recuaram, e só não caíram mais, porque está havendo redução de colheita também da safrinha e há quem afirme que já estão nos níveis internacionais, isto é, próximo a R$ 35,00. Mas como ficará no ano que vem? Os mais desesperados com situação atual estão preocupados com o momento, que é natural, mas não se pode perder de vista o que vai acontecer a partir de março de 2017. Se não houver uma recuperação de oferta buscando ampliação de área e, principalmente, de produtividade em SC, o problema pode voltar. Não vamos nos iludir: se o preço no mercado externo for maior, os produtores brasileiros vão vender lá fora, e nós ficaremos sem o produto novamente. Portanto, a saída é aumentar nossa produção interna. O Programa de Incentivo ao Plantio de Milho lançado pelo Governo do Estado, e operado pela Fecoagro e suas cooperativas, tem exatamente essa finalidade. Não quer dizer que está sendo ignorada a realidade atual, mas isso vai passar, e precisa ser planejado para mais à frente. Tanto os plantadores milho, como os consumidores, e em termos de volumes expressivos são as agroindústrias precisam atentar para isso. O Programa está oferecendo a oportunidade de plantio com melhor tecnologia, para aumentar a produtividade, e com crédito, coisa que está ficando rara, e mesmo assim está havendo pouca adesão, sempre olhando o imediatismo, isto é, os preços de hoje que estão fora da realidade. O pacote de insumos que está sendo ofertado e a proposta de compra antecipada do milho pelo preço mínimo de R$ 34,00, possibilita um lucro mínimo de 30% aos plantadores, e apenas de uma parte da produção colhida. O restante, o agricultor fica livre para vender ao preço do mercado na época da colheita. Querem mais, porque hoje o preço é maior, mas ninguém garante que continuará assim. Por outro lado, as agroindústrias querem pagar menos porque têm outro histórico de preço médio, mas também ninguém pode assegurar que haverá recuo tão expressivo. A soja desestimula o milho? Hoje sim, e com essa produtividade média do Estado, mas partir do momento que se adotar melhor tecnologia, a produtividade aumenta e a competição com a soja diminuirá. Portanto, seria importante que fosse avaliado com um pouco mais de planejamento futuro, e se reduzisse a ganância, pois perder a oportunidade de valorizar as iniciativas atuais pode custar bem mais caro amanhã. Pense nisso.

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